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Misérias da Classe
Docente II
As Eleições de Setembro
de 2009
As eleições
de 27 Setembro de 2009 ficarão para a história dos professores em Portugal,
como aquelas em que uma classe profissional se deixou usar e abusar de forma
reles por bandos de oportunistas ao serviço de interesses partidários.
1º. Acto.
A administração de um canal de
televisão espanhol, que opera em Portugal - a TVI - em plena campanha
eleitoral resolveu suspender um "telejornal" dirigido por uma
jornalista de sarjeta - Manuela Moura Guedes. Estamos perante um exemplo tipo
do pior que as televisões são capazes de produzir: um espaço noticioso,
onde se mistura informação com propaganda, cujas audiências eram obtidas à
custa das insinuações, insultos e afirmações sensacionalistas, numa
demonstração de inqualificável falta de deontologia profissional.
Os partidos da oposição,
nomeadamente o PSD e o CDS, apressaram-se - sem provas - a declarar que o
afastamento desta jornalista se devia ao governo (PS), tratava-se de mais um
ataque à liberdade e aos princípios democráticos. Numa apressada colagem a
esta manobra da direita, no dia dos acontecimentos (4/9/2009), um bando de
professores pertencente ao MUP - Movimento Mobilização e Unidade dos
Professores e uma tresloucada do blogue Profavaliação, juntaram-se
a um grupo que fazia uma vigília à porta da TVI em solidariedade com a dita
jornalista.
Não se limitaram a fazê-lo em
nome das suas convicções políticas de extrema-direita. Perante a
comunicação social presente, afirmaram que estava ali em nome dos
professores, como se estes lhes tivessem dado um mandato para entrarem em tão
descabelada acção de protesto.
2º. Acto
Na mesma altura, Mário Nogueira,
dirigente da Frenprof, assumindo uma posição que lembra os antigos caciques
e padres das aldeias do século XIX, numa conferência de imprensa, resolveu
dar indicações ao professores como deviam votar: - Os seus votos não deviam
favorecer a maioria absoluta de nenhum partido político, pois estes não a
sabem usar. Para este membro do Partido Comunista Português, os professores
não têm cabeça para pensar, não passam de uns imbecis, que necessitam que
alguém lhes diga o que devem fazer.
A falta de coerência e a cobardia
demonstrada pelos professores nas escolas, em 2009, estimulou a sua
utilização em manobras partidárias, desde a
extrema-direita à extrema-esquerda, o que acabou por acentuar as divisões internas
na classe docente.
Na luta dos professores "não
vale tudo". Os princípios que
orientam a profissão docente são os mais contrários a estas práticas
oportunistas, e esses não podem ser esquecidos. É urgente separar as águas
entre os professores, sob pena do seu descrédito
absoluto.
Carlos Fontes |